terça-feira, 28 de outubro de 2008

A Casa dos Livros

Aguardava-te. 
Acompanhava-me uma luz doirada e alguma angústia!
Sim. Fustigava-me a memória! Atraiçoada memória!
O teu sorriso era mais belo do que a lembrança.
O sorriso que te roubei! Lembras-te?

Mas a inconstância prevalecia. Desenhava-te na luz ténue. Mas receava não ser exacto na silhueta. Na textura do teu olhar. A tua imagem era límpida.
Mas eras mais bela do que todas as gravuras que desenhava na luz que me banhava.

Talvez fosse da noite.
Tremia! Devia ser a noite fria! Talvez a noite estivesse fria. Tremia e devia ser da noite. No Outono, àquela hora, já está frio! Tremia!
Mas não estaria frio quando chegasses.

Estava uma noite nervosa. Intranquila.

Era uma daquelas noites sem palavras.
Em branco! Sim, uma noite de palavras perdidas.
Que diria?
Que dirias tu?
Que responderia eu?
Definitivamente, a noite estava nervosa. Muda e queda!
Havias de chegar e eu sem o que dizer!

Atraiçoava-me o verbo! Substantivos vãos! E adjectivos intangíveis!
Sim! Que diria? Que dirias?

O mármore da mesa estava frio. Era da noite fria! Era do mármore que tremia!

O teu sorriso anunciou-te!
Trazias na face a candura! Ai esse teu jeito de menina!

Falaste! Mas não sei o que disseste! Falaste? Não me lembro!
Prendeste-me! Isso sim. Trazias algemas na fragrância. Respirei-te e fiquei ali!
Feliz!
Tinhas vindo.

A noite estava quente. Aquele calor de Outono que exalas. Somente tu.
A água e os cafés suscitaram devaneios. Deambulei. Quis recuperar sentido no discurso. O pensamento disléxico sucumbia à visão.
Tinhas vindo. Estavas ali. Eras tu.
Tu e eu. Ali.
Deixaste-me falar! Sim, eu que não tinha palavras. Levaste-me no discurso. E não parei.
Quiseste saber algo do meu companheiro cibernético inseparável, que repousava na mesa de mármore quente.
E falei. Disse. Devo ter dito tudo. Interminável este meu discurso. Era uma daquelas noites de palavras sopradas. No Outono é assim. Palavras como folhas que se soltam na tua presença.

Uma sms despertou-te da minha ânsia! Agarrava-te forte, eu! Tu não sabias. Mas eu abraçava-te sôfrego em cada palavra proferida.
A sms chamava-te. Chamavam-te. De certeza!

E eu? Que diabo! Falei. Das minhas coisas?! Falei tanto. Só das minhas coisas. Cibernéticas, gadgets, bits e bytes. Coisas de meninos, pensaste! Mas ouviste! Sorvia-me o teu interesse. Escutaste-me!

Mas a sms trouxe pressa ao teu olhar! Lia a pressa nas tuas mãos.

Pediste desculpa. Que essa noite não eras a melhor companhia. Já o sabias. Já o tinhas dito. Mas foste! Mesmo assim foste.

Que não eras a melhor companhia?!!
Não sabias. Não poderias saber.
Não tinhas sido companhia! Tinhas sido a energia daquele dia. Jornada de ânsia pela hora da tua chegada.

Mas agora tinhas de ir.
Pressenti contrariedade na partida. Talvez. Mas tinhas de ir.
Prometeste compensar-me. Mas, agora, tinhas de partir.
Separados novamente!

Acompanhei-te no aconchego da noite. Vi-te contrariada na decisão da partida!

E senti que não fugias de mim.

TINHAS FUGIDO PARA MIM!

Groselha

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