sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Closer



margarida

Calor do beijo



No sabor do beijo encantado, encontro o deslumbre da emoção.
margarida

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Já te pressentia (NY, Central Park, Set07)


Groselha

Beijei-te

Era doce o chocolate,
mas não tanto...
E cremoso, este chocolate,
mas não tanto...
Um "petit catu" macio e partilhado, que fazia a delícia final deste almoço,
mas não tanto...

Repasto servido no colo do ensejo e do enlevo!

O sol interrompera o curso das nuvens e aquecia, agora, o dia,
mas não tanto...

Não tanto como nós!
Agora.
Aqui.
De mão nervosas e ansiosas. Dedos interlaçados na ânsia do momento.
Que chegou.

Tocaram-se os lábios febris.
Consumiram-se.

E abracei-te com o vigor da eternidade.

Groselha

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Doçuras

"Atravesso o teu futuro"

Chegou-me por ti


Groselha

improbabilidade

Sabes?!...
Fosse eu importante, poderoso, daqueles cujo estalar de dedo faz tremer a mais severa rocha e acreditar-me-ia na mira da conspiração, da armadilha, sei lá!
Não era possível! Como era possível? Sim, toda a improbabiliade cósmica confluia em ti.
Como era possível? Não era possível! Não, a improbabilidade cósmica não confluia em mim!

Era um sonho! Sim. Só podia ser um sonho. Só podias ser um sonho.
Um sonho daqueles que nos arrebata aos lençóis e se entranha na pele... Não, na carne... Não, na alma!
Alma?! Não! Sou tão materialista! Não existe alma!
Ou sim! Eu sinto-a! Como não pode existir? És tu. Tens de ser tu.
És tu a minha alma? Esvoaçaste na improbabilidade cósmica!

Trazias no baú as minhas músicas, os bilhetes dos meus filmes, as palavras dos meus poemas! E tinha um sorriso, quando se abria esse teu baú! Desprendia-se o meu olhar, desse teu baú, quando sorria!
Foi lá que descobri os meu olhos! Estavam nos teus, guardados no teu baú!

Uma quimera! Só podia ser! Rasguei reminiscências! Neguei Platão! Abjurei-me!
Eras a minha alma! Serias a minha pele!

Só a improbabilidade cósmica te traria num manto! Diáfano, porque irradiavas mais luz que mil sóis competindo pela cor do teu olhar.

Não sei que jogo celeste, que conjugação, que improbabiliade cósmica...

Espreitei o teu baú enamorado.
E achei-me!

Groselha

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Casa dos Livros



Aguardavas-me.

Depois de um dia complicado,
de papeis e power point!
Nem sei como acedi....
Sou tão pouco assim...de responder, de aceitar
Decidi no entanto ir buscar o
sorriso que me roubaste, Lembras-te?


Talvez fosse da noite.
Estava a pior da companhias.
Mas lá estavas sereno, seguro e tranquilo,
Mesmo numa daquelas noites sem palavras.


Prendeste-me com os teus gadgets e bytes
com a paixão que desprendias do olhar...terno
A noite ficou quente.
Quiz saber do teu leal companheiro cibernético
que nervoso teimava em me desafiar na mesa de mármore quente.

Falaste de coisas de menino. E falaste... e não me canso de te ouvir...
Em palavras que se desgarram de ti

Chamam-me, perdi-me no tempo, voei sem saber.
Bolas, tenho mesmo de sair.
Desculpa, compenso depois..prometo... num dia mais calmo
Sem horários sem alunos, sem prazos e sem metas.
Eu. Só.

Acompanhaste-me no aconchego da noite.
Queria ter ficado, mas porquê?

Fugi... de mim.E ao fugir de mim

TINHA FUGIDO PARA TI!

margarida

Closer



margarida

A Casa dos Livros

Aguardava-te. 
Acompanhava-me uma luz doirada e alguma angústia!
Sim. Fustigava-me a memória! Atraiçoada memória!
O teu sorriso era mais belo do que a lembrança.
O sorriso que te roubei! Lembras-te?

Mas a inconstância prevalecia. Desenhava-te na luz ténue. Mas receava não ser exacto na silhueta. Na textura do teu olhar. A tua imagem era límpida.
Mas eras mais bela do que todas as gravuras que desenhava na luz que me banhava.

Talvez fosse da noite.
Tremia! Devia ser a noite fria! Talvez a noite estivesse fria. Tremia e devia ser da noite. No Outono, àquela hora, já está frio! Tremia!
Mas não estaria frio quando chegasses.

Estava uma noite nervosa. Intranquila.

Era uma daquelas noites sem palavras.
Em branco! Sim, uma noite de palavras perdidas.
Que diria?
Que dirias tu?
Que responderia eu?
Definitivamente, a noite estava nervosa. Muda e queda!
Havias de chegar e eu sem o que dizer!

Atraiçoava-me o verbo! Substantivos vãos! E adjectivos intangíveis!
Sim! Que diria? Que dirias?

O mármore da mesa estava frio. Era da noite fria! Era do mármore que tremia!

O teu sorriso anunciou-te!
Trazias na face a candura! Ai esse teu jeito de menina!

Falaste! Mas não sei o que disseste! Falaste? Não me lembro!
Prendeste-me! Isso sim. Trazias algemas na fragrância. Respirei-te e fiquei ali!
Feliz!
Tinhas vindo.

A noite estava quente. Aquele calor de Outono que exalas. Somente tu.
A água e os cafés suscitaram devaneios. Deambulei. Quis recuperar sentido no discurso. O pensamento disléxico sucumbia à visão.
Tinhas vindo. Estavas ali. Eras tu.
Tu e eu. Ali.
Deixaste-me falar! Sim, eu que não tinha palavras. Levaste-me no discurso. E não parei.
Quiseste saber algo do meu companheiro cibernético inseparável, que repousava na mesa de mármore quente.
E falei. Disse. Devo ter dito tudo. Interminável este meu discurso. Era uma daquelas noites de palavras sopradas. No Outono é assim. Palavras como folhas que se soltam na tua presença.

Uma sms despertou-te da minha ânsia! Agarrava-te forte, eu! Tu não sabias. Mas eu abraçava-te sôfrego em cada palavra proferida.
A sms chamava-te. Chamavam-te. De certeza!

E eu? Que diabo! Falei. Das minhas coisas?! Falei tanto. Só das minhas coisas. Cibernéticas, gadgets, bits e bytes. Coisas de meninos, pensaste! Mas ouviste! Sorvia-me o teu interesse. Escutaste-me!

Mas a sms trouxe pressa ao teu olhar! Lia a pressa nas tuas mãos.

Pediste desculpa. Que essa noite não eras a melhor companhia. Já o sabias. Já o tinhas dito. Mas foste! Mesmo assim foste.

Que não eras a melhor companhia?!!
Não sabias. Não poderias saber.
Não tinhas sido companhia! Tinhas sido a energia daquele dia. Jornada de ânsia pela hora da tua chegada.

Mas agora tinhas de ir.
Pressenti contrariedade na partida. Talvez. Mas tinhas de ir.
Prometeste compensar-me. Mas, agora, tinhas de partir.
Separados novamente!

Acompanhei-te no aconchego da noite. Vi-te contrariada na decisão da partida!

E senti que não fugias de mim.

TINHAS FUGIDO PARA MIM!

Groselha

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Onde te Escondias?



Sufocava.
Talvez fosse o calor!
Das luzes? Talvez!
Não, afinal não!
Sufocava.
Fora do habitat,
vozes, muitas vozes,
luzes, tantas luzes...
e o desconforto de estar á vista,
á lupa de todos.
Impávido, jogas em casa
Numa segurança contagiante,
fizeste o tempo voar.
Voou para longe, e tudo acabou...
para trás e para a frente entre despedidas
e entre outros todos os outros, eu vou...
Tu ficas. Mas o meu sorriso ficou.

(Onde te escondias?)
margarida
sabes que nas manhãs de Outono me envolvo. No cheiro desgarrado da gola desta camisola macia que me aconchega. No cheiro da manhã turva e enfarruscada de onde roubaste o sol. No café forte que me acorda de manhã. Na musica que o radio teima em reproduzir, uma playlist já conhecida. Na saudade que deixaste.
sabes que nas manhãs de Ourono de devolvo. a ti
margarida

domingo, 26 de outubro de 2008

Onde te escondias?

Sufocava. Talvez fosse o calor!
Das luzes? Talvez! 
Não, afinal não!
Sufocava, Mas não era ar que faltava.
Quem eras? Como podias brilhar mais que toda aquela constelação que faz da noite dia?
Mas brilhavas mais! Albergavas uma auréola! Era propositado. Tinha de ser. Contraste! Claro. Trajavas de negro.
Mas o teu sorriso! Ai o teu sorriso.

Sorvia o teu sorriso! 
Assim de mansinho como a brisa que não chegava para atenuar a sofreguidão com que sorvia o teu sorriso! Sofreguidão mitigada! Escrava do momento, do espanto! Surpreso!

Roubei-te o olhar! Tantas vezes te roubei o olhar.
De fundo havia vozes. Sucediam-se as vozes.
Mas eu pintava-te! Enchi telas e murais no dourado dos teus cabelos.

Acariciava-te as palavras!
Por que não se fazia silêncio?
Queria tocar levemente o que dizias para sentir a tua silhueta.

E o teu sorriso.
Sempre o teu sorriso.
Porquê partilhá-lo?
Levava-me o teu sorriso!

Levou-me no tempo! Voou o tempo! Esvaiu-se no desconforto das luzes, no tropel das palavras dos outros.
Como?
Já ias partir?
Ias levar contigo a voz doce, o olhar de menina, os cabelos de ouro, o jeito delicado?!!!
Já ias partir?
Como?!!
Que faço?!
Não!!! As escadas são logo ali! Porquê? Sempre estiveram ali. Mas não naquele dia. Naquele dia deviam tê-las tirado, levado para longe! Por que estavam ali? Logo ali. Iam levar-te para longe. Para sempre! 
Olho como te moves.

Tu vais. Eu fico.
Mas não sabes...

O teu sorriso ficou
Roubei-te o sorriso!

(Onde te escondias?)

Groselha

sábado, 25 de outubro de 2008

Pouring souls

two lovers in love
love to write
two hearts entwined
need to tell
a tail to last

two bodies apart
shall one unite
are still to come
and bind in light

"Groselha"