quinta-feira, 1 de outubro de 2009



Ri e olha de repente
Para fins de não olhar
Para onde nas folhas sente
O som do vento a passar
Tudo é vento e disfarçar.

Fernando Pessoa

Tu'alma


Nem tanto,
meu amor,
nem tanto.

Tu'alma é Princesa d'Alento.
Não como o poeta lhe chamou, um dia.
Cavalga lume soprado no vento.

Dócil, como sonho perene.
Lampejo de céu rasgado em prece,
Sorriso jovial em mim.

Tu'alma d'Alento

<3



Minh'alma é a Princesa Desalento,
Como um Poeta lhe chamou, um dia.
É revoltada, trágica, sombria,
Como galopes infernais de vento!

É frágil como o sonho dum momento,
Soturna como preces d'agonia,
Vive do riso duma boca fria!
Minh'alma é a Princesa Desalento…



Florbela Espanca, «Livro de Soror Saudade»